Segunda-feira, Janeiro 09, 2012

Amizade colorida



As relações humanas certamente seriam mais saudáveis se não precisássemos de tantas definições concretas sobre o que representamos na vida de outrem. No entanto, é inerente ao nosso instinto de sobrevivência essa necessidade de conhecer o terreno em que estamos nos aventurando, afinal, não queremos ser presas fáceis e cair em armadilhas que sabemos que estão em todo lugar. Não queremos nos machucar.

Para tanto, quando conhecemos alguém, buscamos encontrar, na mente e no coração, um rótulo que caracterize essa pessoa e outro que defina o que ela pode vir a representar em nossa vida. Por mais simples que esta tarefa pareça ser, ela pode nos deixar desgastados, completamente exauridos, afinal, temos de lidar com nossas indagações acerca do que sentimos pelo outro e, se concluirmos que sentimos algo que pode ir além de uma mera amizade, também temos de lidar com a frustração de tentar entender o que o outro sente por meio de indiretas que, geralmente, não nos levam a lugar algum.

Algumas pessoas ficam sofrendo com essa “síndrome da bola de cristal” por semanas, meses ou anos em vez de deixar as dúvidas de lado e buscar por palavras concretas. Certamente, não há como fugir da insegurança do início, mas viver em função desta é não possuir dose alguma de amor próprio. Se temos perguntas, precisamos obter respostas, e a maneira mais simples de obtê-las é, justamente, a menos utilizada: perguntando. Se a afinidade for recíproca, inicia-se um processo de conhecimento mútuo que pode evoluir para um namoro ou não; se não for recíproca, ou vira amizade, ou não vira absolutamente nada – “no hard feelings” e bola pra frente!

Mas é claro que nem tudo é tão simples. Dificilmente conhecemos uma pessoa e sentimos uma afinidade por ela tão grande e instantânea a ponto de a relação evoluir rapidamente para um namoro. Além disso, com o passar do tempo e dos amores, tornamo-nos céticos e demasiado inseguros, fazendo do processo de conhecer uma nova pessoa uma grande tortura. É neste estágio da vida que começamos a expandir os horizontes, deixando de lado a expressão “namoro ou amizade” e criando termos intermediários, como “amizade colorida”, por exemplo.

Assim, passamos a desfrutar de momentos prazerosos ao lado de outra pessoa sem possuir, com esta, nenhuma sorte de compromisso, o que nos permite degustar vários aperitivos simultaneamente e ver qual deles possui o sabor que mais nos agrada, a doçura que mais nos vicia e que nos dá apetite para pedir o prato principal. Todavia, por mais prática que essa relação de amizade colorida pareça ser, ela camufla desinteresse e mendicância.

Desinteresse, porque quem encontra a pessoa que realmente procura não a deixa em stand-by, afinal, esta pode facilmente cair nos braços de outro da noite para o dia porque oportunidades para conhecer novas pessoas existem a todo momento e em todo lugar. Quem encontra o que procura, certamente, não quer correr o risco de perder. Mendicância, porque dificilmente duas pessoas se relacionam sem que uma se apegue mais que a outra e, quando isso acontece numa relação sem compromisso, o que mais se apega acaba sendo o mendigo, que não possui o que quer, mas se contenta com o que lhe têm a oferecer.

Deste modo, a amizade colorida só é benéfica, inofensiva e prazerosa quando um não vê no outro, de forma alguma, “aquele alguém” e isso é recíproco, ou seja, ambos estão abertamente à procura de outra pessoa, da pessoa certa, do vício verdadeiro e não sentem, um pelo outro, nada além de carinho e respeito entre amigos somado a uma atração meramente física, que pode ser substituída por outra sem maiores problemas quando um dos dois encontrar o que realmente procura.

Nada é tão simples como parece, afinal, coração não vem com manual de instruções, mas só continuamos acumulando amizades coloridas e montando nossa caixa de lápis de cor enquanto sentimos que estamos colorindo desenhos que são belos, mas não o suficiente para serem únicos, emoldurados e pregados com orgulho na parede.

Terça-feira, Dezembro 20, 2011

Teria sido belo





Acho que podemos passar toda uma vida tentando perdoar erros alheios, mas, por mais que queiramos, há certas coisas que são, simplesmente, imperdoáveis.

Como não há como corrigir erros passados - muito menos os erros alheios -, acho que a solução é sempre continuar fingindo que logramos perdoar, que conseguimos esquecer, e buscar por formas de fazer, por outros, o que outrem deveria ter feito por nós. Talvez isso amenize a dor que calamos.

Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

Lágrimas camufladas


Ao som apenas do respirar um do outro, seus corpos jaziam deliciosamente encaixados dentro da banheira, que transbordava a água morna que cobria ambos e diluía o cansaço de suas existências. Ludwig repousava sua cabeça no tórax de William, algo que, há muito, não lograva fazer com outrem devido à sua impotência no que tange a controlar sua mente, que fazia dele seu maior e mais louco escravo. Todavia, naquela tarde, Ludwig era senhor de sua mente; senhor de si.

Completamente entregue ao outro, como se mundo não houvesse lá fora, ele deslizava delicadamente a mão esquerda sobre o peitoral de William e cerrava os olhos lentamente enquanto recebia afago de uma forma única. Sentia os dedos de William passando por sua fronte, percorrendo seus cabelos e acariciando sua nuca numa sincronia que lhe trazia uma paz e uma segurança que ele, aos poucos, ia reconhecendo. De subido, sua mente foi tomada por lembranças de sua infância, quando se deitava no colo de sua mãe, que, gentil e amorosamente, dava-lhe um afago único, que o fazia fechar os olhos, respirar de forma mais longa e tranqüila e, inevitavelmente, entregar-se aos braços do sono.

Vítima da saudade dolorosa do colo e da presença angelical de sua mãe, seus olhos foram tomados por lágrimas de forma instantânea e incontrolável. Em meros segundos, seus olhos expurgaram um sentimento de dor em forma de um choro tímido. Sentiu uma pressão no peito, respirou de forma ofegante, mas, tentando ser discreto com o que sentia de forma tão inesperada, colocou a face lentamente debaixo d’água, disfarçando as lágrimas e, em seguida, sorriu para William, que o olhava com ternura e sorria como resposta.

Após um sorriso paradoxalmente forçado, pela saudade de sua mãe, mas espontâneo, devido à presença de William, deitou-se novamente sobre o tórax deste e ali permaneceu tentando colocar os pensamentos em ordem novamente. Só ali, naquela ocasião, percebeu que não via a pessoa que mais amava neste mundo há mais de seis meses por motivos tolos e pueris. Deu um último suspiro longo, molhou novamente as lágrimas, olhou para William e beijou-lhe lentamente a boca. Prometeu a si mesmo que viajaria para casa, para os braços de sua mãe, o mais rápido possível e, aos poucos, voltou a se entregar ao deleite da companhia do outro, como se mundo não houvesse lá fora.

Domingo, Dezembro 11, 2011

"Poema em linha reta" - Álvaro de Campos


"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
(...)
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."

- Álvaro de Campos

"O que há" - Álvaro de Campos


"   O que há em mim é sobretudo cansaço —
    Não disto nem daquilo,
    Nem sequer de tudo ou de nada:
    Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
    Cansaço.
    A sutileza das sensações inúteis,
    As paixões violentas por coisa nenhuma,
    Os amores intensos por o suposto em alguém,  
    Essas coisas todas —
    Essas e o que falta nelas eternamente —;
    Tudo isso faz um cansaço,
    Este cansaço,
    Cansaço.

    Há sem dúvida quem ame o infinito,
    Há sem dúvida quem deseje o impossível,
    Há sem dúvida quem não queira nada —
    Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
    Porque eu amo infinitamente o finito,
    Porque eu desejo impossivelmente o possível,
    Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,  
    Ou até se não puder ser...

    E o resultado?
    Para eles a vida vivida ou sonhada,  
    Para eles o sonho sonhado ou vivido,
    Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...  
    Para mim só um grande, um profundo,
    E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,  
    Um supremíssimo cansaço,  
    Íssimno, íssimo, íssimo,
    Cansaço..."

- Álvaro de Campos

Terça-feira, Dezembro 06, 2011

Sombras amorosas


Sempre acreditei na existência de alguém que nos complete, uma pessoa que seja aquilo que faz falta à nossa essência e deixe a sensação de que somos um pouco incompletos quando não amamos e não somos amados. Com o passar dos anos, medos e amores, comecei a aprender que não se deve amar por necessidade, mas, sim e somente, por alegria. Não há como esperar pelo conforto de um abraço se não logramos confortar em nossos braços também.
Tenho a certeza de que, quanto mais tentamos saber sobre o amor, mais repreensivos ficamos. Quem já sentiu saudade de quem amou sabe que é difícil não sucumbir à dor, dor que nos ensina, sim, mas que também dilacera, entristece e gera medo. Quanto mais aprendemos com a dor, mais tememos nos entregar novamente a outrem e confiar neste alguém de forma absoluta, o que faz com que entremos no jogo já esperando perder. De forma paradoxal, confiamos desconfiando, acreditamos duvidando e vivemos o presente como uma versão do passado possivelmente melhorada.
São muitas as coisas que sei porque o que sei é justamente o que sinto. Não quero novos amores assombrados por angústias e felicidades passadas; quero olhar fixamente em olhos como se fosse a primeira vez que me aventuro nos portões da alma de alguém, mexer na memória, apagar os “melhores momentos” e viver dias, luares e abraços que sejam sempre melhores que os anteriores - bons ou ruins, não quero mais relembrar os anteriores por mero desejo de viver melhor o que vivo agora.

"Masterpiece" - Madonna [DOWNLOAD]

"Masterpiece" - Madonna [DOWNLOAD]



If you were the Mona Lisa
You'd be hanging in the Louvre
Everyone would come to see you
You'd be impossible to move


It seems to me it's what you are
A rare and priceless work of art
Stay behind your velvet rope
But I will not renounce all hope


And I'm right by your side
Like a thief in the night
I stand in front of a masterpiece
And I can't tell you why
It hurts so much
To be in love with the masterpiece
'Cause after all
Nothing's indestructible


From the moment I first saw you
All the darkness turned to light
An impressionistic painting
Tiny particles of light
It seem to me it's what you're like
The "look but please don't touch me" type
And honestly it can't be fun
To always be the chosen one


And I'm right by your side
Like a thief in the night
I stand in front of a masterpiece
And I can't tell you why
It hurts so much
To be in love with a masterpiece
'Cause after all
Nothing's indestructible
Nothing's indestructible
Nothing's indestructible
Nothing's indestructible


And I'm right by your side
Like a thief in the night
I stand in front of the masterpiece
And I can't tell you why
It hurts so much
To be in love with the masterpiece


And I'm right by your side
Like a thief in the night
I stand in front of the masterpiece
And I can't tell you why
It hurts so much
To be in love with the masterpiece
'Cause after all
Nothing's indestructible
'Cause after all
Nothing's indestructible 

Segunda-feira, Novembro 21, 2011

Celine Dion - L'amour Existe Encore




L'amour Existe Encore (O Amor Ainda Existe)

Quand je m'endors contre ton corps (Quando adormeço colada ao seu corpo)
Alors je n'ai plus de doute (Então não tenho mais dúvidas)
L'amour existe encore (O amor ainda existe)

Toutes mes années de déroute (Todos os anos em que andei sem rumo)
Toutes, je les donnerais toutes (Todos, eu os daria todos)

Pour m'ancrer à ton port (Para me ancorar a teu porto)

La solitude que je redoute (A solidão que tanto temo)

Qui me guette au bout de ma route (Que me espera no fim de minha estrada)
Je la mettrai dehors (Vou jogá-la fora)

Pour t'aimer une fois pour toutes (Pra te amar de uma vez por todas)
Pour t'aimer coûte que coûte (Pra te amar custe o que custar)

Malgré ce mal qui court (Apesar da maldade que existe)
Et met l'amour á mort (E que leva o amor à morte)

Quand je m'endors contre ton corps (Quando adormeço colada ao seu corpo)

Alors je n'ai plus de doute (Então não tenho mais dúvidas)
L'amour existe encore (O amor ainda existe)

L'amour existe encore... (O amor ainda existe...)

On n'était pas du même bord (A gente não compartilhava da mesma opinião)
Mais au bout du compte on s'en fout (Mas afinal de contas não importa)
D'avoir raison ou d'avoir tort (Quem está certo ou errado)

Le monde est mené par des fous (O mundo está nas mãos de loucos)
Mon amour il n'en tient qu'á nous (Meu amor, ele cabe somente a nós)

De nous aimer plus fort (Nos amarmos cada vez mais)

Au-delà de la violence (Muito além da violência)
Au-delà de la démence (Muito além da demência)

Malgré les bombes qui tombent (Apesar das bombas que explodem)
Aux quatre coins du monde (Nos quatro cantos da terra)

Quand je m'endors contre ton corps (Quando adormeço colada ao seu corpo)
Alors je n'ai plus de doute (Então não tenho mais dúvida)

L'amour existe encore (O amor ainda existe)
L'amour existe encore (O amor ainda existe)
L'amour existe encore... (O amor ainda existe...)

Pour t'aimer une fois pour toutes (Pra te amar de uma vez por todas)

Pour t'aimer coûte que coûte (Pra te amar custe o que custar)
Malgré ce mal qui court (Apesar da maldade que existe)

Et met l'amour à mort (E leva o amor à morte)

Quand je m'endors contre ton corps (Quando adormeço colada a você)
Alors je n'ai plus de doute (Então não tenho mais dúvidas)
L'amour existe encore (O amor ainda existe)

Vaga minha gentil, que te partiste

Vaga minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente, 
Repousa lá na Pinheiros eternamente, 
E viva eu cá no cursinho sempre triste.

Se lá na Dr. Arnaldo, onde resides,
Memória desta vida se consente, 
Não te esqueças daquele amor ardente 
Que já nos simulados meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te;

Roga à Preguiça que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou

- Bruno a la Camões