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domingo, 24 de janeiro de 2010

Ideias vazias

Comecei a discorrer sobre sites de relacionamento e fiquei atônito ao perceber que discutir este assunto é praticamente escrever uma grande tese. São muitos porquês, muitos parênteses e muitos, mas muitos questionamentos sobre como e por que nos expomos via Orkut, Blogs, Facebook e Twitter, por exemplo. Estudar nossas próprias atitudes é algo simplesmente fascinante, o que faz da psicologia comportamental uma ciência extremamente convidativa e prazerosa. Todavia, não disponho do conhecimento para escrever sobre os porquês mencionados e, por mais que pudesse fazer uma análise subjetiva, esta seria válida para mim somente e, portanto, nada ou pouco acrescentaria a quem lesse o que escrevo.

Recentemente, uma professora nos disse em aula que, se não temos idéias novas que acrescentem algo a alguém, não devemos expô-las pelo simples fato de estarmos perdendo o nosso tempo redigindo e fazendo com que aquele que lê também perca seu tempo. Concordo em termos, afinal, quem escreve nem sempre tem o objetivo de mudar a vida de alguém e quem lê o faz por vontade própria, ou seja, se você lê algo que não lhe acrescenta nada, a culpa é sua e não de quem escreveu aquilo, afinal, o escritor pode ter tido ganas de simplesmente colocar em palavras o que sente, sem visar a público algum. No entanto, tenho de concordar com a idéia de que o tempo daquele que escreve seria muito mais proveitoso se suas linhas trouxessem algo novo, algo que lograsse tocar outras pessoas e as fazer pensar. Desta forma, escritor e leitor não perderiam seu tempo.

Pensando nisso, volto a me indagar sobre os porquês de nos expormos tanto via sites de relacionamento. O mais emblemático destes, a meu ver, é o Twitter. Em poucas palavras, expomos nossas vidas de forma indiscreta e insossa. Dizemos de onde viemos, o que estamos fazendo, aonde iremos, o que pensamos disso e daquilo, julgando coisas, fatos e pessoas como se fôssemos realmente capazes de discernir entre bom e ruim, certo e errado. Julgamos como se esse maniqueísmo existisse de forma absoluta e indiscutível, como se nossas idéias fossem originais e, principalmente, como se o que expomos realmente fizesse a diferença para o exterior e para o interior de nós mesmos. Assim, vamos vivendo de cópias, no estereótipo de buscar pela originalidade e caindo no mundo das asneiras e futilidades.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"Receita de Ano Novo"

Continuo postando o poema que nunca se torna ultrapassado pra mim.

Um ótimo ano novo a todos nós!

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."


- Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Deixando ir embora

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

- Fernando Pessoa

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Hoje

Não existe porto seguro. Podemos ter para onde correr, pessoas para nos consolar, mas a vida será sempre esta eterna busca por certezas assaz incertas e por chão firme em que possamos pisar. Não existe terreno seguro e, para constatar isso, basta procurar por um.

Podemos, sim, imaginar que estamos protegidos, que o pior já passou e que o amanhã, a segunda-feira ou o ano que vem serão o início de algo extremamente fabuloso - não há nada errado em ter esperança e buscar pela felicidade. Todavia, é um abuso vivermos a vida pensando somente no amanhã e depositando neste todas as nossas forças e crenças.

Trabalhamos para um dia podermos usufruir do dinheiro, estudamos para um dia usarmos o que aprendemos, temos um encontro hoje, mas ficamos pensando se haverá um segundo encontro amanhã e não arriscamos com medo de, um dia, nos arrepender. Deixamos de viver o certo, o hoje, o agora para que o amanhã seja vivido de forma melhor, mas não percebemos que, amanhã, viveremos para o dia seguinte e para o dia depois deste.

Nesta ilusão de que o futuro será melhor, não enxergamos o bem que já nos circunda porque imaginamos que o que temos ainda não é bom o suficiente para ser apreciado; não vivemos uma paixão que faz nosso coração explodir no peito porque temos medo de nos machucarmos no futuro; não nos permitimos sonhar porque julgamos que precisamos de planos sólidos para não sermos pegos de surpresa um dia; não dizemos “eu te amo” e "você mudou minha vida" porque achamos que haverá um amanhã para que o façamos e não enfrentamos a vida de frente, com cabeça erguida, porque pensamos que a força para que o façamos chegue quando acordarmos no dia seguinte.

Buscar sempre por um porto seguro é ignorar o hoje, o fato de que fantasiamos o planejamento de nossas vidas em vez de realmente vivermos cada instante, cada segundo que passa depressa, sem pedir permissão e levando consigo, de forma covarde e atrevida, a juventude, a beleza e o que projetamos para o futuro e puerilmente denominamos “vida”.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cedendo


Deixar quem realmente amamos é algo assaz dolorido e muito mais comum do que imaginamos, acho. Abandonamos amores verdadeiros porque nossa mente pensa estar fazendo a coisa certa ou está tão cansada de errar que deixa as coisas acontecerem de forma absurda e sem nexo.
Quando deixamos quem amamos, preocupamo-nos com a felicidade desta pessoa. Não conseguimos nos ver livres da imagem do seu rosto e o som do seu choro torna-se insuportável aos ouvidos porque toca o coração.


Como muitas outras dores, camuflamos a dor de deixar um amor e tocamos a vida como se nada ferisse nosso coração. Não obstante, em certos momentos, em noites ao acaso, lembramo-nos do quanto amamos alguém e sentimos que há um peso enorme sobre nosso corpo impedindo nossa respiração. Quanto mais tentamos respirar, mais dói e, se tivermos sorte, caem lágrimas que servem como escape para o sentimento que lateja dentro de nós. Com lágrimas, conseguimos continuar fingindo e caminhando com sorriso no rosto (forçado, mas necessário); sem lágrimas, tentamos ficar de pé e fingir com mais força ainda que estamos bem e que nem nos lembramos daquele amor de outrora.


Como não há exatamente o que fazer (tudo é medo), aceitamos a certeza de que aquilo foi amor e continuamos fingindo de que o fingimento basta.


Não sabemos aonde isso pode nos levar, mas vamos indo...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Vácuo

Há dias em que não somos capazes de nutrir sentimento concreto nenhum por absolutamente nada. Em dias assim, poucas coisas nos comovem, nada tem muita graça e até tentamos nos indagar sobre dor e riso, mas a letargia do mundo parece tão pujante que nem chegamos aos pontos de interrogação, afinal, perguntas geram necessidade de resposta e isso corrói as almas inquietas.

Melhor não pensar, não dizer muita coisa e, principalmente, não tentar explicar o que não é pra ser entendido.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Suspiros de areia


Ao ver fotos daquela linda praia, não pôde evitar que seu pensamento o levasse àquele lugar na companhia de quem amara. Por um instante, viu ambos na areia sob lindo luar, com os olhos fechados e lábios colados. Sentiu a energia que passava boca a boca, fazendo o respirar se tornar mais lento e profundo. Era incrível como dava vida a devaneios a ponto de não saber se estes eram memória ou excesso de imaginação.


Subitamente, apagou a imagem de seus pensamentos e se indagou sobre os porquês de nunca ter vivido aquela cena. Concluiu que vivera seus amores de uma forma tão distante que não lograra perceber que não havia tempo a perder com o medo. Tomado pela cólera do que havia passado em branco, deu um último longo suspiro e teve a certeza de que viveria seu novo amor de forma nova. Entregar-lhe-ia seu todo e jamais mediria seus esforços para viver sonhos e fantasias. Beijá-lo-ia devagar, sentado na areia, com os pés molhados e o coração solto.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Grey's Anatomy Episode 01/Season 06 (Sneak peek)

Mistério solucionado!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ter um lugar

É necessário ter-se um lugar à nossa espera,
nem que seja apenas pelo simples prazer de abandoná-lo.

Paráfrase de algo que li não me lembro onde...

"Seu crescer dentro de mim"

"...deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente." - De Caio Fernando Abreu