Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

Lágrimas camufladas


Ao som apenas do respirar um do outro, seus corpos jaziam deliciosamente encaixados dentro da banheira, que transbordava a água morna que cobria ambos e diluía o cansaço de suas existências. Ludwig repousava sua cabeça no tórax de William, algo que, há muito, não lograva fazer com outrem devido à sua impotência no que tange a controlar sua mente, que fazia dele seu maior e mais louco escravo. Todavia, naquela tarde, Ludwig era senhor de sua mente; senhor de si.

Completamente entregue ao outro, como se mundo não houvesse lá fora, ele deslizava delicadamente a mão esquerda sobre o peitoral de William e cerrava os olhos lentamente enquanto recebia afago de uma forma única. Sentia os dedos de William passando por sua fronte, percorrendo seus cabelos e acariciando sua nuca numa sincronia que lhe trazia uma paz e uma segurança que ele, aos poucos, ia reconhecendo. De subido, sua mente foi tomada por lembranças de sua infância, quando se deitava no colo de sua mãe, que, gentil e amorosamente, dava-lhe um afago único, que o fazia fechar os olhos, respirar de forma mais longa e tranqüila e, inevitavelmente, entregar-se aos braços do sono.

Vítima da saudade dolorosa do colo e da presença angelical de sua mãe, seus olhos foram tomados por lágrimas de forma instantânea e incontrolável. Em meros segundos, seus olhos expurgaram um sentimento de dor em forma de um choro tímido. Sentiu uma pressão no peito, respirou de forma ofegante, mas, tentando ser discreto com o que sentia de forma tão inesperada, colocou a face lentamente debaixo d’água, disfarçando as lágrimas e, em seguida, sorriu para William, que o olhava com ternura e sorria como resposta.

Após um sorriso paradoxalmente forçado, pela saudade de sua mãe, mas espontâneo, devido à presença de William, deitou-se novamente sobre o tórax deste e ali permaneceu tentando colocar os pensamentos em ordem novamente. Só ali, naquela ocasião, percebeu que não via a pessoa que mais amava neste mundo há mais de seis meses por motivos tolos e pueris. Deu um último suspiro longo, molhou novamente as lágrimas, olhou para William e beijou-lhe lentamente a boca. Prometeu a si mesmo que viajaria para casa, para os braços de sua mãe, o mais rápido possível e, aos poucos, voltou a se entregar ao deleite da companhia do outro, como se mundo não houvesse lá fora.

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